CDCC, um espaço brasileiro especial para divulgação científica

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Em muitas partes do mundo existem lugares fantásticos onde a ciência e a inovação andam de mãos dadas. No Brasil, em uma casa antiga, afastada do movimento das grandes cidades, há um lugar onde o universo da impressão 3D recebeu um lugar especial. Lá, as pessoas podem aprender sobre Química, Física, Matemática, Biologia, Educação Ambiental e Astronomia, por meio de diversas atividades, como maquetes e experimentos, onde a tecnologia da impressora 3D possibilita o acesso ao conhecimento.

O Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da Universidade de São Paulo (USP) está localizado no centro da cidade de São Carlos, instalado em um prédio histórico inaugurado em 1908 pela Società Dante Alighieri e adquirido em 1985 pela Universidade de São Paulo. Integra também o CDCC, o Observatório Dietrich Schiel, cujo prédio está instalado na Área 1 do campus da USP em São Carlos.

O principal objetivo do CDCC é estabelecer um elo entre a USP e a comunidade, facilitando o acesso da população às instalações e resultados da produção científica e cultural da Universidade. Nesse sentido, promove e orienta atividades que visam despertar o interesse dos cidadãos pela ciência e pela cultura, especialmente os jovens. Também colabora com a formação de alunos de graduação em Ciências Exatas, pois eles podem se beneficiar dos conhecimentos adquiridos na realização de projetos educacionais no CDCC.

Figura 1 – CDCC, Centro de Divulgação Científica e Cultural

Entre as muitas atrações do local, o público pode participar de uma sessão de cinema, uma visita ou até mesmo um curso de férias. Também é possível visitar o observatório, ou apreciar as exposições itinerantes, como a “Oh! Como você mudou! Olhe para você agora”, cujo tema é a conservação da vida selvagem na região central do Estado de São Paulo.
Atrações importantes criadas com impressão 3D
Quem visita o local com o olhar curioso da impressão 3D encontra projetos muito interessantes como a reprodução de maquetes (divisor de águas) e a biblioteca de experimentos.
Bacia hidrográfica: “Em relação à bacia hidrográfica, todo o processo de desenvolvimento foi feito por nós e usamos apenas software livre”, disse Junior, responsável pela impressora Raise 3D do CDCC. O modelo em que basearam o projeto é o do “Gregório” que é um mapa de um rio que nasce no leste de São Carlos e corta no oeste da mesma cidade. No modelo final, podemos ver os locais exatos por onde passa o rio e algumas das elevações geográficas daquela região.
A produção de um material que apresentasse conteúdos sobre a origem e formação geológica da região, biodiversidade, recursos hídricos e a história da ocupação urbana de São Carlos tomando como referência suas microbacias hidrográficas. O projeto pode ser contemplado através do e-book, ATLAS Histórico e socioambiental das regiões hidrográficas de São Carlos-SP, através do link “ATLAS histórico e socioambiental das regiões hidrográficas de São Carlos-SP” (disponível apenas em português) .

Biblioteca de experimentos (EXPERIMENTOTECA): CDCC, também é possível solicitar mais de 300 experimentos que utilizam o manual que pode ser acessado neste link.
Os tentilhões de Darwin: Os tentilhões são pequenos pássaros com bicos pequenos e duros usados ​​para quebrar sementes para comê-las. Há um total de 14 espécies de tentilhões conhecidas, mas no projeto Darwin’s Finchs feito para simular os bicos de 4 espécies diferentes desses animais e por que eles são bons em pegar certas sementes. Na figura a seguir, o bico laranja simularia um bico mais grosso, o bico azul um bico médio, o verde um bico menor e o amarelo um bico apontador. Com uma impressora 3D Raise, essas ferramentas foram feitas e colocadas em uso. Essa dinâmica da biblioteca de experimentos propõe um jogo, onde cada aluno usa o bico para pegar o máximo e a variedade de sementes que puder durante um minuto. Em seguida, eles devem repetir a atividade mais duas vezes. Por fim, eles devem montar uma tabela para registrar o número, tamanho e formato das sementes que cada bico conseguiu pegar em cada repetição.

Pegadas: A biodiversidade de São Carlos sempre foi enorme desde a era dos dinossauros. Assim, o projeto das pegadas foi feito. Algumas das pegadas de animais incluem: mamíferos, pássaros e outros animais selvagens terrestres. Os pesquisadores usam vestígios de animais, como pegadas, para registrar sua presença em um determinado ambiente. Por exemplo, se uma pegada de lobo-guará for observada dentro de uma área de conservação, significa que o lobo usa aquela área. Poderia ser seu território, ou apenas de passagem. Se a pegada for encontrada em uma fazenda, significa que o lobo passou por lá.

Kit robótico: Pensando no kit robótico, as pessoas podem usar sua imaginação, criatividade e conhecimento de engenharia para criar seus próprios projetos de robôs. Ou seja, eles foram criados e não baixados da internet (o que é algo que a maioria das pessoas faz). Não só isso, mas também utiliza software livre que possibilita a qualquer pessoa fazer projetos como as bancadas são novinhas e despertaram a curiosidade das pessoas além de promover um senso de organização na criação de novos projetos.

Estação meteorológica: Este projeto foi feito para medir temperatura, umidade do ar, pressão atmosférica e pluviômetro, criando uma estação meteorológica impressa em 3D que posteriormente seria conectada à internet e instalada na instalação para que todos pudessem acompanhar as medições e comparar com outras escolas.

Maker space: Nessas mesas, muitos projetos como os robôs do projeto dos kits robóticos foram criados. Isso foi feito para criar um senso de organização ao realizar esse tipo de atividade, capaz de reunir mais pessoas para trabalhar nelas.

Sidney Carlos Rigo Junior tem muitos projetos em mente para ajudar na divulgação científica. É funcionário do Centro de Difusão Científica e Cultural da Universidade de São Paulo – Campus São Carlos (CDCC/USP). Fazer atividades como a bacia hidrográfica e a estação meteorológica despertou o interesse. Ele é um marcador visionário e admirável. A equipe da UP3D e Raise 3D agradecem a parceria após esses longos anos que ajudam a divulgar este grande trabalho.

Silvia Martins, também colaborou neste projeto, é funcionária do Centro de Difusão Científica e Cultural da Universidade de São Paulo – Campus São Carlos (CDCC/USP), responsável pelo setor de Biologia e Educação Ambiental. Ecologista e Doutor em Ciências Ambientais. Tem experiência na área de educação ambiental, lecionando ciências e biologia, formando professores e produzindo materiais didáticos.